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domingo, 26 de abril de 2009

O CASTIGO DE PEPE

O Real Madrid desta temporada deve muito a Pepe, que faz o seu trabalho e corrige o dos companheiros com a solvência de um superhomem. Se houvesse que eleger o jogador o jogador do ano, só ele poderia discutir essa honra com Higuain. Mas esta semana Pepe fez um estropício inexplicável. Só um caso de destrambelhamento mental pode explicar o dano que Pepe fez a rivais e companheiros; ao clube e ao futebol. Uma loucura cega que também o magoará. De um futebolista do Real Madrid sempre se espera um comportamento impecável. De um central da sua categoria sempre se espera um grande controlo da situação. Pepe deverá converter este episódio numa lição para sair desta experiência convertido noutro jogador. Será imprescindível, porque nunca mais vai ser olhado da mesma forma.”
Jorge Valdano in A Bola

O jogo estava difícil de contornar, com 2-2 e o tempo a fugir, e a esperança do título também, uma jogada em contra-pé, um toque para desequilibrar que desequilibrou e uma penalidade que deitava tudo a perder e com o “peso” da responsabilidade ter um nome. Descontrolo total e sem ninguém para o “puxar” para a realidade. Curiosamente, a penalidade é falhada e o Real ainda chega á vitória. 10 jogos para punir tamanho descontrolo e para servir de exemplo. Pepe não merecia o que Pepe fez. Talvez seja o pecado de se envolver em demasia no jogo.

domingo, 7 de dezembro de 2008

AS CRÓNICAS DE JORGE VALDANO

Com a devida vénia reproduzo um trecho da crónica de Jorge Valdano para o Jornal A Bola:

“É habitual que nos peçam para eleger o melhor jogador de todos os tempos entre Di Stefano, Pelé, Cruyff e Maradona. Mas como comparar jogadores incomparáveis? Como medir a influência de cada um em épocas distintas? Como eleger sem cometer uma falta de respeito? Quando em jogo estão variáveis de estilo, de eficiência e de influência, podemos decidir em função do gosto mas nunca em termos de justiça.
O futebol é complexo de mais para se pretender ter razão. Atentemos na actualidade do Milan nas últimas semanas. Numa equipa que conta com Pirlo, Pato, Ronaldinho, Kaká e outras estrelas cintilantes, lesionou-se Gattuso há três semanas e, desde então, perdeu os quatro jogos que disputou. É como se um palácio com toda a nobreza lá dentro não fosse nada sem a presença do canalizador. Estes são os mistérios deste maravilhoso jogo.”

Costumo defender que Ronaldo merece ser o melhor do Mundo em 2008, pelo que fez em 2008, e não por ser o melhor jogador do Mundo.

domingo, 12 de outubro de 2008

AS CONSEQUÊNCIAS DO FUTEBOL

Ainda sobre o jogo de caridade para Borgonovo, que sofre de uma variante de esclerose múltipla que já matou vários atletas de alta competição, Jorge Valdano diz o seguinte em A Bola:

“Um jogo amigável de beneficência entre a Fiorentina e o Milan girou a cabeça do mundo do futebol face aos 39 ex-futebolistas italianos, com uma média de idade de 42 anos, que morreram de ELA. Uma terrível doença em que a cabeça lúcida se vai enterrando, milímetro a milímetro, num corpo enfermo por distrofia muscular e atrofia da coluna vertebral. Porquê gente tão jovem? Porquê ex-futebolistas? Porquê sobretudo em Itália? Não é arriscado concluir que levámos demasiado longe as exigências: treinar desafiando os limites, tomar medicamentos de cavalo para reduzir os tempos de inactividade, potenciar o rendimento com complementos energéticos na fronteira da legalidade… Tudo para ganhar de qualquer maneira, já que a derrota é sinónimo de morte desportiva…”

Estes são os sinais do que toda a gente desconfiava e desconfia, mas que poucos têm a coragem de denunciar e muitos menos se preocupam em investigar. Recordo que o treinador checo Zdenek Zeman chegou a provocar polémica ao levantar a questão do doping em Itália, mas ficou-se pela polémica.

domingo, 5 de outubro de 2008

O FURACÃO MARIA ALBERTINA

Diz Jorge Valdano que “Como o calendário futebolístico tem os seus caprichos, há um período na temporada em que as equipas terão de enfrentar, sucessivamente, Sevilha, Barcelona, Real Madrid e Villarreal. Impõe-se dar um nome a esse furacão porque vai desabar sobre as equipas que, nalguns casos, nunca mais se recomporão. Sugiro que lhe chamemos Furacão Clotilde.

O calendário da I Liga Sagres, não foi tão caprichoso, mas sempre encontramos uma sequência complicada: Benfica, FC Porto, Paços de Ferreira, Sporting. É a modos que um Furacão Maria Albertina.